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Política

Planalto usa decisão de Gilmar Mendes para justificar reajuste do Bolsa Família

AGU afirma ao STF que governo cumpriu determinação após ministro dar prazo para atualização dos valores do programa

Arthur Vieira

O Palácio do Planalto usou uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para justificar o reajuste do Bolsa Família anunciado na quinta-feira (17). Mendes é relator de uma ação sobre a atualização dos valores do programa, que tramita na Corte desde 2020 e estava sem movimentação desde 2024.

Na quarta-feira (16), a Defensoria Pública da União (DPU) provocou o ministro sobre a ausência de atualização dos valores. O órgão argumentou que a legislação prevê a revisão dos benefícios e dos critérios de renda do programa em intervalo máximo de dois anos.

A DPU pediu que o governo fosse intimado a informar as providências adotadas para cumprir a regra. Também solicitou que, caso não fosse possível realizar a atualização, o Executivo avaliasse a abertura de uma negociação sobre o reajuste.

Na quinta-feira (17), Mendes determinou que o governo apresentasse, em 15 dias, informações sobre as medidas adotadas para atualizar os valores do Bolsa Família.

A Advocacia-Geral da União (AGU) respondeu nesta sexta-feira (18) que a determinação já havia sido atendida com o anúncio do reajuste feito por Lula no dia anterior. O governo informou que a correção foi calculada com base na inflação acumulada medida pelo INPC.

Na manifestação ao STF, a AGU pediu que a Corte reconheça formalmente o cumprimento da determinação.

O reajuste anunciado pelo governo é de 15,04%. O benefício mínimo por família passou de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subirá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em outubro. O impacto fiscal estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

A medida passou a ser questionada também na Justiça Eleitoral. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) apresentou representação contra o reajuste, mas o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), extinguiu a ação sem analisar o mérito por considerar que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar o pedido.

O reajuste também é alvo de questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU), onde o Ministério Público junto à Corte pediu a suspensão da medida e a apuração de possíveis irregularidades.


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