Alagoas envelhece: Estado ganha 132 mil idosos e perde quase 199 mil crianças em 12 anos
Censo do IBGE mostra avanço acelerado da população idosa e redução da parcela de crianças; idade mediana dos alagoanos passou de 25 para 32 anos entre 2010 e 2022
Alagoas está mudando de perfil. Em pouco mais de uma década, o estado ganhou mais idosos, perdeu crianças e viu aumentar a idade média da população. Os dados dos Censos Demográficos de 2010 e 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram uma transformação acelerada na estrutura etária dos alagoanos.
Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 276,8 mil para 409,2 mil. São 132,4 mil idosos a mais em 12 anos, o que representa um crescimento de 47,9%.
Na outra ponta da pirâmide etária, o movimento foi contrário. A população de 0 a 14 anos caiu de aproximadamente 910,4 mil para 711,7 mil pessoas no mesmo período. A redução foi de 21,8%, o equivalente a quase 199 mil crianças a menos.
A mudança não ficou restrita às duas extremidades da população. O número de alagoanos entre 15 e 29 anos também diminuiu, passando de 875,1 mil, em 2010, para 759,8 mil em 2022 — uma queda de 13,2%. Já a faixa de 30 a 59 anos cresceu 17,8%, saindo de 1,058 milhão para 1,247 milhão de pessoas.
O resultado é uma população proporcionalmente mais velha. Em 2010, os moradores com 60 anos ou mais representavam 8,9% da população de Alagoas. Doze anos depois, passaram a corresponder a 13,1%. Enquanto isso, a participação das crianças de até 14 anos caiu de 29,2% para 22,8%.
Um dos indicadores que melhor traduz essa mudança é o índice de envelhecimento. Em 2010, havia 30,4 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças menores de 15 anos. Em 2022, a proporção chegou a 57,5 idosos para cada 100 crianças.
A idade mediana da população alagoana também avançou. Em 2010, era de 25 anos. Em 2022, chegou a 32 anos. Isso significa que metade da população tinha até 32 anos e a outra metade estava acima dessa idade.
Apesar do envelhecimento acelerado, Alagoas ainda apresenta uma população mais jovem que a média brasileira e a nordestina. Em 2022, a idade mediana era de 33 anos no Nordeste e 35 anos no Brasil. No índice de envelhecimento, o estado registrou 57,5 idosos para cada 100 crianças, enquanto o Nordeste alcançou 68,5 e o Brasil, 80.
A tendência observada em Alagoas acompanha uma transformação demográfica que ocorre em todo o país. Entre 2010 e 2022, a população brasileira com 65 anos ou mais cresceu 57,4%, enquanto o número de crianças de até 14 anos caiu 12,6%, segundo o IBGE.
Os números apontam para uma mudança que vai além da composição das faixas etárias. Com menos crianças e mais idosos, Alagoas terá de lidar progressivamente com novas demandas em áreas como saúde, previdência, assistência social, mobilidade e planejamento urbano, ao mesmo tempo em que a redução da população infantil sinaliza mudanças nas famílias e na dinâmica demográfica do estado.