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Caso master

“Cara da PF já disse: pode cometer o crime que for”, disse Vorcaro em fórum do Master em Londres

Mensagens mostram banqueiro relatando a interlocutor conversas durante evento que reuniu autoridades e teve despesas de R$ 3,3 milhões

Arthur Vieira

Mensagens obtidas por investigadores no caso Banco Master mostram o ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatando a um interlocutor uma conversa que teria ouvido de uma pessoa identificada por ele como “cara da PF”. Segundo Vorcaro, o interlocutor teria dito que ele poderia “cometer o crime que for”.

A troca de mensagens ocorreu em 26 de abril de 2024, quando Vorcaro estava em Londres para o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master. Na ocasião, participaram de uma confraternização o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A conversa ocorreu enquanto participantes degustavam charutos e uísque Macallan no clube George, em Mayfair. Dados extraídos do celular de Vorcaro registram uma despesa de US$ 640.831,88, equivalente a cerca de R$ 3,3 milhões pelo câmbio da época.

Em mensagens enviadas ao empresário mineiro Flávio Carneiro, Vorcaro descreveu o ambiente como de euforia. “Cara. Não acredita aqui agora. Charuto, petit comité. Agora fechou com chave de ouro. Todo mundo louco. Se eu te contar os papos. Pqp”, escreveu.

Carneiro brincou: “Vão fazer uma lei contra você kkkkk. Lei da amarra. Vão mandar te amarrar”. Vorcaro respondeu: “Cara da PF já disse: pode cometer o crime que for kkkkk”.

O fórum ocorreu entre 24 e 26 de abril de 2024 e reuniu, além de Andrei Rodrigues e Gonet, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Também participaram cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e três do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Integrantes do governo Lula, como o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, também estiveram no evento. Messias, porém, não participou da confraternização.

Os participantes acompanharam painéis sobre temas como processo eleitoral e inteligência artificial. Segundo as investigações, embora o fórum tenha sido organizado pelo grupo Voto, da empresária Karim Miskulin, a maior parte das despesas teria sido custeada por Vorcaro.

Procurada, a PF não se manifestou. Carneiro afirmou não se lembrar das mensagens nem do contexto da conversa.

Relatório da PF divulgado por André Mendonça também identificou mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes nas quais o banqueiro mencionava a necessidade de “proteção” de “Andrei e Paulo”, em referência a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Em novembro de 2025, antes de uma operação contra o Master, Vorcaro teria pedido a Moraes que tentasse atrasar a ação. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra”, escreveu.

Em outra mensagem, teria questionado: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”.

No dia seguinte ao evento, o Poder360 revelou que o fórum havia sido patrocinado pelo Banco Master, que tinha processos de interesse nas Cortes.

Carneiro perguntou a Vorcaro se os juízes estavam mais tranquilos após a repercussão. O banqueiro respondeu: “Kkk acha que estão ligando? Falaram hj que vão prender o cara. Deram risada. E vida que segue”.

Antes da crise do Banco Master, Carneiro havia sido citado na delação de Joesley Batista como intermediário em um suposto pagamento de propina relacionado ao então senador Aécio Neves (PSDB-MG).

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