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“STF provocou um mal-estar cívico no país. Me sinto envergonhada”, diz Cármen Lúcia

Ministra afirmou estar em “estado de profunda tristeza” com a crise e pediu desculpas ao povo brasileiro durante sessão desta terça-feira (15)

Arthur Vieira

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (15) estar em “estado de profunda tristeza” diante da crise envolvendo a Corte e da forma como os ministros têm conduzido o debate durante a sessão extraordinária.

“Eu estou triste. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, que teria sido aquele a ser decidido, mas porque o Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição por determinação nela expressa, provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, declarou.

A sessão foi convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para analisar o relatório da Polícia Federal que reúne mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Cármen Lúcia também disse estar “envergonhada” com a situação e pediu desculpas ao povo brasileiro por não ter conseguido contribuir para reduzir as tensões.

“Eu me sinto, estou falando apenas por mim; quem fala pelo Supremo é Vossa Excelência, presidente, um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarem todos voltados a questões do Supremo, que são questões processuais em parte, com muita expressão e com questões graves mesmo”, afirmou.

Segundo a ministra, poderia ter adotado uma postura diferente e contribuído para evitar o agravamento da crise.

“Estou pedindo desculpas a Vossa Excelência, pedindo desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a que a gente superasse tudo isso de uma maneira mais apta. Eu peço desculpas ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, disse.

Cármen afirmou ainda que os ministros buscavam uma solução para a situação, mas que os conflitos acabaram se ampliando.

“Todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais.”

Ao concluir, a ministra voltou a pedir desculpas ao presidente do STF, aos colegas e à população.

“Realmente queria ter sido melhor em poder ter ajudado a acalmar as coisas, e não consegui”, afirmou.

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