Presa em operação da Polícia Federal na gestão de Renan Filho atua no gabinete da Saúde de Alagoas
Marta Celeste foi exonerada após a Operação Florence, em 2019; documentos de 2025 e 2026 registram atuação vinculada ao gabinete do secretário Gustavo Pontes
Quase sete anos depois de ter sido presa preventivamente em uma operação da Polícia Federal que investigou suspeitas de desvios milionários na Saúde de Alagoas na gestão de Renan Filho, a médica Marta Celeste de Oliveira Mesquita continua vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) no governo Paulo Dantas.
Mais especificamente, Marta está ligada ao gabinete do secretário Gustavo Pontes de Miranda, o “Gordinho Topado”, investigado por envolvimento num esquema que desviou mais de R$ 100 milhões da secretaria de Saúde de Alagoas.
Documentos da pasta comprovam a ligação. É o caso de um relatório de despesas com viagens oficiais da Sesau referente a 2025. Nele, Marta aparece vinculada diretamente ao Gabinete do Secretário, e não a uma unidade hospitalar ou departamento técnico da secretaria.
A vinculação ao gabinete também aparece em atos administrativos. Em junho de 2026, Marta Celeste foi indicada como representante do Gabinete do Secretário de Estado da Saúde em um grupo de trabalho criado para planejar e acompanhar a assistência farmacêutica em oncologia no estado.
A Portaria Sesau nº 5.322, publicada no Diário Oficial de 3 de junho, também lista nominalmente Marta como integrante do grupo pelo gabinete comandado por Gustavo Pontes. Em uma publicação de Otoni Verissimo, diretor-geral do Hospital do Coração estadual, ela é mencionada explicitamente como “representante do secretário Gustavo Pontes”.
Já uma reportagem do próprio governo alagoano, bem como menções nas redes sociais, cita Marta Celeste como “assessora especial” da Secretária de Saúde. Os registros oficiais consultados, porém, não indicam que ela ocupe esse cargo. No site institucional da própria Sesau, a função de assessor especial aparece atribuída a Luciano André Costa de Almeida.
Gordinho Topado
Em 11 de dezembro de 2019, quando era diretora do HGE durante o governo Renan Filho, Marta foi presa preventivamente na Operação Florence – Dama da Lâmpada, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União.
A investigação apurava fraudes e desvios de recursos públicos relacionados à aquisição e prestação de serviços envolvendo órteses, próteses e materiais especiais na rede estadual de Saúde. À época, as investigações estimavam em cerca de R$ 30 milhões os valores envolvidos no esquema investigado.
Marta foi solta dias depois e, pouco mais de duas semanas após a operação, em 27 de dezembro de 2019, o então governador Renan Filho a exonerou do cargo comissionado de gerente do HGE. Sua ligação com o grupo político dos Calheiros, porém, permaneceu - e ganhou força na gestão Paulo Dantas a partir de sua chegada ao gabinete do secretário de Saúde, Gustavo Pontes.
Conhecido como “Gordinho Topado”, Pontes está no centro de uma investigação da Polícia Federal, a Operação Estágio IV, deflagrada em dezembro de 2025 para apurar corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos do SUS em contratos da Sesau que teriam movimentado mais de R$ 100 milhões.
Segundo a PF, Gustavo seria uma das principais lideranças do esquema. Ele chegou a ser afastado do comando da Saúde por determinação judicial por 180 dias, mas retornou ao cargo em fevereiro de 2026 após decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça.
Fonte: Francês News