Preso por morte da esposa, coronel relata trauma e vê versão de suicídio ser contestada por novo laudo
Geraldo Leite Rosa Neto mantém a versão de que a soldado Gisele Alves Santana tirou a própria vida, mas perícia aponta vestígios compatíveis com a participação de uma segunda pessoa
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso e réu pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, afirmou à Corregedoria da Polícia Militar que precisou de atendimento psiquiátrico após encontrar a mulher morta no apartamento do casal, no centro de São Paulo.
Segundo o oficial, foram duas consultas com um psiquiatra e ele continua recebendo acompanhamento psicológico no Presídio Militar Romão Gomes, onde está detido desde 18 de março.
“Em 35 anos de polícia, eu nunca vi uma cena tão traumatizante”, declarou Geraldo ao recordar o momento em que encontrou Gisele caída na sala, com um tiro na cabeça.
Durante o depoimento, que durou cerca de duas horas, o coronel chorou e voltou a negar envolvimento na morte. Ele mantém a versão apresentada desde o início de que a esposa tirou a própria vida.
“A minha esposa tirou a própria vida e até hoje eu não consigo acreditar que ela fez isso. E ainda estou sendo acusado de tê-la matado”, afirmou.
Geraldo também relatou que sonha com Gisele e que passou a conversar com ela durante orações. Em uma delas, segundo contou, perguntou: “Por que fez isso, meu amor?”.
A versão de suicídio, porém, passou a ser contestada ao longo da investigação. Um novo laudo da Polícia Científica concluiu que os vestígios encontrados no apartamento contradizem um “evento suicida” e permanecem compatíveis com a intervenção de uma segunda pessoa.
O exame foi elaborado após questionamentos apresentados pela própria defesa do tenente-coronel.