Brics pode ajudar a reduzir tensões no Oriente Médio, diz Mauro Vieira
Chanceler brasileiro afirma que grupo cria ambiente para negociações entre países rivais e rejeita ideia de bloco contrário aos Estados Unidos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a cúpula do Brics pode contribuir para aproximar países envolvidos em conflitos no Oriente Médio. O chanceler representa o Brasil no encontro realizado neste fim de semana, em Nova Delhi, na Índia, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da reta final da campanha eleitoral.
Vieira destacou que o número reduzido de integrantes do grupo favorece conversas diretas e negociações, inclusive entre países com posições divergentes.
“Não é em qualquer ambiente que você consegue ter isso. O Brics, sendo um grupo reduzido, com 10 países membros, cria esse espaço especial de mais informalidade, mais contato direto para se aplainar diferenças e dificuldades”, afirmou.
Segundo o ministro, a diversidade entre os integrantes do bloco, ampliado em 2024, também pode ser uma vantagem para a diplomacia. “O Brics é muito especial e muito favorecido como o espaço de negociação”, declarou.
Vieira também rejeitou a ideia de que o Brics tenha como objetivo fazer oposição aos Estados Unidos ou às nações desenvolvidas.
“É um erro total. Não é (um grupo) antiamericano, não é anti ninguém. [...] É um grupo que promove o entendimento e a concertação. E não é anti ninguém, é a favor dos seus membros e desse movimento de cooperação”, disse.
Nesta sexta-feira (11), Vieira participou do Fórum Empresarial do Brics, primeira etapa da cúpula. No discurso, destacou a importância das empresas dos países membros para ampliar a cooperação econômica.
“Em um momento em que a economia global está ameaçada pelo protecionismo, pela coerção econômica e por sanções unilaterais, aproximar nossos setores produtivos é mais relevante do que nunca”, afirmou.
Empresas brasileiras como Embraer, Vale, WEG e Banco do Brasil participaram do fórum para discutir oportunidades de expansão dos negócios nos países do bloco.