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Caso master

Flávio Bolsonaro era interlocutor direto de Vorcaro sobre Dark Horse, aponta PF

Arthur Vieira

A Polícia Federal aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, mantinha contato direto com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, nas tratativas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta em documento enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que Flávio não aparecia apenas como uma pessoa citada por terceiros, mas atuava diretamente nas negociações. Os registros mencionam conversas sobre pagamentos, reuniões presenciais e o andamento das gravações.

Os contatos entre os dois foram identificados a partir de agosto de 2025. Em 20 de agosto, uma conversa registra um encontro presencial, quando Flávio informou a Vorcaro que estava “a caminho”.

Em setembro, o senador enviou um áudio cobrando pagamentos relacionados à produção e demonstrando preocupação com compromissos financeiros envolvendo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Segundo a PF, Vorcaro pediu desculpas e afirmou que tentaria solucionar a situação.

No mês seguinte, em 22 de outubro, Flávio voltou a cobrar o empresário. De acordo com a investigação, ele afirmou que as gravações estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado ao “limite”. O senador também pediu que Vorcaro avisasse caso não pudesse realizar o aporte, para que fosse buscada outra alternativa.

Mendonça determinou a abertura de investigação sobre a atuação de Flávio Bolsonaro no financiamento de Dark Horse. O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes. A medida foi tomada em julho e tornou-se pública após a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso Master.

A abertura do inquérito foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Flávio teria procurado Vorcaro para obter cerca de R$ 130 milhões destinados à produção. Planilhas apreendidas pela PF apontam que aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido repassados.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e afirma que os recursos destinados ao filme tiveram origem privada.

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