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Caso master

PF suspeita que Toffoli tenha dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal, diz revista

Arthur Vieira

Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta suspeitas de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas pela revista piauí com base em documentos da investigação.

Segundo o relatório, o fundo Arleen tinha participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento ligado à família de Toffoli. O documento aponta que o fundo, que pertencia a Vorcaro, foi adquirido em fevereiro de 2025 pelo empresário Alberto Leite, apontado como amigo do ministro.

Um mês depois, o Arleen teria alterado seu regulamento para permitir investimentos no exterior. Em dezembro de 2025, seus ativos foram transferidos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por funcionar como paraíso fiscal. Para a PF, os elementos reunidos indicariam a possível utilização de interpostas pessoas e estruturas no exterior.

O relatório também levanta suspeitas sobre uma possível interferência de Vorcaro em decisão de Toffoli em um processo envolvendo precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. A investigação cita mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro que envolveriam o diretor jurídico do Banco Master, André Kruschewsky, e o ex-ministro Fábio Faria.

De acordo com a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF e poderia atuar para retirar o processo de pauta. No dia do julgamento, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. Posteriormente, o julgamento foi retomado e, em um placar de 3 a 2, o voto de Toffoli foi decisivo para a vitória da tese favorável à Alcídia.

O relatório foi encaminhado ao STF porque Toffoli era o relator do caso Master e ministros da Corte dependem de autorização do próprio tribunal para serem investigados. O documento foi enviado ao então presidente do STF, Edson Fachin, para as “providências cabíveis”. André Mendonça, atual relator do inquérito, afirmou à piauí que não recebeu o relatório.

Em nota, Toffoli negou ter mantido recursos no exterior, direta ou indiretamente, e afirmou que jamais realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas. O gabinete também declarou que não houve alteração de voto no processo envolvendo a Alcídia e sustentou que o caso foi arquivado após os ministros do STF terem conhecimento do conteúdo da apuração.

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