Oposição critica Dino após reintegração de diretor-geral da PF
Decisão que recolocou Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal provoca críticas de parlamentares e amplia embate entre ministros do STF
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de reintegrar Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (9), provocou reação de parlamentares da oposição e de políticos alinhados ao governo.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), criticou a medida, que ocorreu após Luiz Fux e Nunes Marques confirmarem decisão anterior de André Mendonça pelo afastamento de Andrei. O julgamento na Segunda Turma foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes.
Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a situação como uma “várzea”. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a decisão apenas “intensifica a desmoralização” do presidente do STF, Edson Fachin. Segundo ele, há uma disputa interna por poder e uma tentativa de proteger aliados.
O partido Novo também atacou Dino e relembrou a mobilização contra sua indicação ao STF, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. A legenda afirmou que a reintegração de Andrei “não apaga” as suspeitas relacionadas à PF e ao caso do Banco Master.
Aliados do governo defenderam a decisão de Dino. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, afirmou que a medida restabelece a autonomia entre os Poderes.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, questionou o afastamento de Andrei justamente durante a fase final das investigações do Banco Master.
A liderança do PT na Câmara também afirmou que a decisão anterior desorganizava a PF, afetava atividades de inteligência e poderia comprometer investigações em andamento.
Em meio à disputa, Lula pediu a quebra “completa” do sigilo das investigações sobre o Banco Master. “O Brasil precisa saber a verdade”, escreveu o presidente nas redes sociais.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, criticou o STF e afirmou que a Corte “perdeu qualquer pudor” nas decisões recentes.