Quase 2 milhões de brasileiros já trabalham por aplicativos, mas enfrentam jornadas maiores e pouca proteção
Levantamento do IBGE mostra que profissionais de plataformas trabalham mais horas, ganham menos por hora e enfrentam altos índices de informalidade
Quase 2 milhões de brasileiros trabalharam por meio de aplicativos em 2025, segundo o IBGE. Ao todo, eram 1,96 milhão de pessoas, entre motoristas, entregadores e profissionais que oferecem outros tipos de serviços pelas plataformas.
A maior parte está no transporte de passageiros, com 1,2 milhão de trabalhadores. Outros 376 mil atuam com entregas e 313 mil usam aplicativos para oferecer serviços gerais ou profissionais. Mas trabalhar por aplicativo também significa passar mais tempo na atividade. A jornada média desses trabalhadores chega a 44,7 horas por semana, enquanto os demais ocupados trabalham cerca de 39,3 horas.
Mesmo com essa diferença, o dinheiro recebido no fim do mês é praticamente o mesmo: cerca de R$ 3,15 mil. Na prática, isso significa que quem trabalha por aplicativo ganha 12% menos por hora trabalhada. Outro dado que chama atenção é a falta de proteção. Cerca de 72,1% desses trabalhadores estão na informalidade e apenas 34% têm cobertura da Previdência Social.
Embora 86,8% digam trabalhar por conta própria, o IBGE mostra que muitos ainda dependem diretamente dos aplicativos. São as plataformas que acabam influenciando, em muitos casos, quanto será cobrado, os prazos e até a forma de pagamento.