A servidora da Defensoria Pública de Mato Grosso, Janaiara Soares, denunciou nas redes sociais a demora no atendimento psicológico oferecido pela rede pública de Cuiabá. A mãe dela, Sidelia Paula da Silva, de 58 anos, tinha diagnóstico de depressão e morreu em 2024. Quase dois anos depois, a família recebeu uma mensagem da Secretaria Municipal de Saúde informando que a consulta com um psicólogo havia sido autorizada.
Segundo Janaiara, a mãe inicialmente resistiu à ideia de buscar tratamento, mas acabou aceitando acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), após insistência da família. Sidelia chegou a ser atendida por um clínico em uma unidade de saúde e recebeu encaminhamento para acompanhamento psicológico. O pedido, então, foi inserido no sistema de regulação do município.
Nas redes sociais, a filha criticou a demora e relatou a revolta da família diante da situação. “A depressão matou minha mãe, mas o sistema público de saúde de Cuiabá também tem culpa”, afirmou. Segundo ela, a mensagem sobre a autorização da consulta chegou meses após a morte da mãe.
Janaiara também destacou o impacto emocional causado pela demora no atendimento. “Mesmo sabendo que o tratamento não garante que ela não atentaria contra a própria vida, o sentimento é terrível, de tristeza, impotência”, declarou. Para a servidora, a situação revela dificuldades enfrentadas por pacientes que dependem da rede pública para conseguir atendimento psicológico.
A morte de Sidelia deixou ainda mais marcante a demora para a família porque, segundo a filha, ela tinha planos para o futuro. A mulher trabalhava com serviços gerais em uma empresa terceirizada e estava a cerca de um mês de se casar na igreja com o marido quando morreu.