Enxaguante com canabidiol pode combater placa bacteriana, aponta estudo da USP
Pesquisa encontrou eficácia semelhante à da clorexidina e menor alteração na cor do esmalte
Um estudo da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP (FORP-USP) apontou que enxaguantes bucais com canabidiol (CBD) podem ser uma alternativa à clorexidina no controle da placa bacteriana.
A pesquisa, publicada na revista Clinical Oral Investigations, testou diferentes concentrações de CBD e identificou que a formulação a 0,05% apresentou o melhor equilíbrio entre controle do biofilme, preservação do esmalte e menor alteração de cor.
O CBD a 0,1% também apresentou ação semelhante à clorexidina, mas provocou pequeno aumento na rugosidade do esmalte em uma das situações analisadas. Já a concentração de 0,01% teve efeito mais limitado.
A clorexidina, considerada padrão-ouro na ação antimicrobiana odontológica, foi a que mais alterou a coloração do esmalte, deixando as amostras mais escuras e amareladas.
Segundo a pesquisadora Anna Luísa Araújo Pimenta, responsável pelo estudo, as concentrações de 0,05% e 0,1% apresentaram potencial para substituir a substância em determinadas situações clínicas.
“A principal vantagem é justamente evitar os efeitos adversos que a clorexidina apresenta com o uso prolongado, mantendo uma eficácia parecida no controle do biofilme”, afirmou.
Apesar dos resultados, o enxaguante com CBD ainda não está pronto para uso clínico. Os pesquisadores destacam a necessidade de novos estudos, com mais participantes, acompanhamento prolongado e avaliações adicionais de segurança e eficácia, além das etapas regulatórias necessárias para um eventual produto comercial.