Lula se antecipa às eleições para não ficar refém do Centrão no Congresso
Planalto quer evitar nova queda de braço com o Centrão após as urnas e já negocia prioridades para retomada das votações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta deixar encaminhada a agenda do Congresso antes do esvaziamento da Câmara e do Senado provocado pelas eleições. A estratégia é preservar os acordos já firmados e evitar que o governo precise reabrir uma rodada de negociações com o Centrão após as urnas.
Lula já começou a articulação. Em 26 de agosto, recebeu no Palácio da Alvorada os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para definir prioridades antes da pausa nas votações. Entre os temas discutidos estão o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública, a chamada “taxa das blusinhas”, o marco dos minerais críticos e o Redata, programa de incentivos fiscais para a instalação e ampliação de data centers no país.
Parte da agenda avançou na semana passada, durante o esforço concentrado do Congresso. Foram aprovados o Redata, a política de minerais críticos e a medida que permite zerar novamente o Imposto de Importação para compras internacionais de até US$ 50. A chamada “taxa das blusinhas” também entrou na corrida contra o tempo, já que a medida provisória perderia a validade em 8 de setembro caso não fosse aprovada pelas duas Casas.
A expectativa é que o Senado volte a concentrar votações após o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. A proposta que prevê o fim da escala 6x1, uma das principais bandeiras do governo Lula, deve ficar para esse período. Para o Planalto, deixar os acordos encaminhados antes das eleições é estratégico. Depois das urnas, o Congresso terá um novo cenário, com parlamentares reeleitos, derrotados e outros eleitos para novos cargos. Ao mesmo tempo, partidos do centro devem intensificar as negociações por espaços no governo, emendas e pelo comando da Câmara e do Senado.
Nesse cenário, Lula tenta chegar ao período pós-eleitoral com parte da agenda já organizada e menos dependente de uma nova rodada de negociações com o Centrão.