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Pobreza extrema

Nordeste concentra 1,47 milhão de crianças na extrema pobreza e acende alerta sobre futuro da infância

Relatório da Fundação Abrinq revela colapso de metas sociais, avanço da desnutrição e da obesidade, além de um caso de violência sexual infantojuvenil a cada 10 minutos

Eduarda Silva

O Nordeste enfrenta um dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é pobreza e vulnerabilidade na infância. A região concentra 1,47 milhão de crianças de até 6 anos vivendo em extrema pobreza, segundo o relatório Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, da Fundação Abrinq.

O levantamento reúne dados do IBGE, Ministério da Saúde e Ministério da Educação e mostra que a desigualdade atinge principalmente crianças e adolescentes. A região também registra a segunda maior taxa de mortalidade infantil do Brasil, com 13,5 óbitos para cada mil nascidos vivos.

A situação chama atenção porque a pobreza entre crianças permanece bem acima da média da população brasileira. Em 2024, 40,9% das crianças de até 6 anos estavam em situação de pobreza, considerando famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Entre crianças de até 12 anos, o índice era de 40,8%.

No país inteiro, a pobreza atingia 24,5% da população, o equivalente a cerca de 53,1 milhões de pessoas. Entre os menores de idade, porém, o percentual é muito maior, mostrando como a infância é uma das parcelas mais afetadas pela desigualdade econômica.

O relatório também aponta dificuldades no cumprimento de metas sociais previstas para a década, incluindo avanços insuficientes em áreas como educação, saúde, alimentação e proteção contra a violência.

Além da pobreza monetária, o documento alerta para problemas relacionados à desnutrição e à obesidade infantil, que convivem no mesmo cenário de desigualdade. A violência contra crianças e adolescentes também aparece entre os principais pontos de preocupação.

Os dados reforçam a dimensão dos desafios enfrentados pelo Nordeste e mostram que milhões de crianças ainda crescem em condições que podem comprometer o acesso à alimentação adequada, saúde, educação e outras oportunidades básicas.

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