O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por adiar para após o primeiro turno das eleições a votação definitiva da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1. Aliados do Palácio do Planalto já reconhecem reservadamente a inviabilidade de chancelar a medida antes do pleito de 4 de outubro, diante da forte resistência de parlamentares opositores e de setores do Centrão.
Apesar de ter sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2), a matéria ainda depende de duas votações no plenário do Senado, exigindo um quórum qualificado de pelo menos 49 votos favoráveis. Para evitar atritos com Alcolumbre e preservar os recentes acordos políticos, o governo federal decidiu recuar e focar na tramitação do texto apenas no intervalo entre o primeiro e o eventual segundo turno, agendado para 25 de outubro.
Seguindo a mesma estratégia de prudência política, a PEC da Segurança Pública, outra pauta prioritária do Executivo que também avançou na CCJ , teve sua apreciação no plenário prorrogada pelo mesmo motivo. Desse modo, o Planalto prefere desacelerar o ritmo de votações polêmicas para blindar suas alianças durante o período eleitoral.