A retirada do sigilo de uma ação que apura mensagens entre o banqueiro Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes fez explodir uma crise no Supremo Tribunal Federal. A decisão foi tomada nessa terça (1º) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master.

Porém, o atrito entre os dois ministros já é antigo e teria começado a se intensificar em fevereiro deste ano, quando Mendonça assumiu a relatoria do caso Master, após suspeitas de ligação entre o banqueiro Vorcaro e o antigo relator, o ministro Dias Toffoli. As tensões aumentaram com decisões de Mendonça sobre o processo, incluindo restrições de informações dentro da Polícia Federal e a recusa de colaborações de Vorcaro por meio de uma relação premiada.

O conflito ganhou força quando Mendonça retirou o sigilo da ação que apura mensagens entre Vorcaro e Moraes. O material aponta uma suposta anuência de Moraes sobre o caso Master. A partir disso, Mendonça passou a defender que o caso fosse levado ao plenário para votação sobre a abertura de uma investigação, enquanto Moraes busca barrar a iniciativa.

Hoje, os ministros travam uma disputa por influência dentro da Suprema Côrte. Mendonça quer abrir uma investigação contra 'Xandão' e sonda votos para formar maioria no plenário. Ele teria três votos favoráveis: o seu, de Luiz Fux e de Edson Fachin. Moraes, por sua vez, contaria com o apoio de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.

Com isso, os votos de Dias Toffoli, Nunes Marques e Cármen Lúcia estariam em aberto. A data da votação deve ser definida nos próximos dias pelo presidente da Corte, Edson Fachin.