O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma apuração para investigar uma possível prática de assédio eleitoral após receber um vídeo em que o empresário Luciano Hang, dono da Havan, critica o fim da escala 6x1 durante uma reunião com funcionários em Caldas Novas (GO). O procedimento foi instaurado nesta segunda-feira (31) e ainda está em fase inicial.

Na gravação, Hang afirmou que a mudança aumentaria os custos com mão de obra e poderia diminuir o poder de compra dos trabalhadores caso os salários fossem mantidos. Segundo ele, funcionários poderiam precisar de uma segunda fonte de renda. O empresário também classificou a proposta como “estelionato eleitoral” e disse que políticos estariam interessados nos votos dos trabalhadores nas eleições de outubro.

O MPT informou que, neste momento, não há outros detalhes que possam ser divulgados sobre a investigação. A proposta de fim da escala 6x1 será analisada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O modelo atual prevê seis dias de trabalho para um de descanso.

Hang e a Havan já foram envolvidos em processos relacionados a assédio eleitoral. Em 2024, a Justiça do Trabalho condenou a empresa e o empresário por práticas relacionadas às eleições de 2018, com pagamento de R$ 1 milhão por dano moral coletivo. Em fevereiro de 2025, a Havan também foi condenada a indenizar uma funcionária por assédio eleitoral ocorrido em uma unidade de São Paulo.