Análise: Campanhas tratam alta de Cury como “voo de galinha”, mas veem risco de abstenção
O crescimento de Augusto Cury (Avante) na disputa presidencial é interpretado por dirigentes políticos como reflexo do desânimo de parte do eleitorado com a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação é de que os dois principais candidatos não estariam conseguindo apresentar uma perspectiva de futuro capaz de mobilizar o eleitor.
Nesse cenário, Cury teria se beneficiado como uma opção de protesto contra a polarização. Apesar de ter alcançado 11% das intenções de voto na pesquisa BTG/Nexus, dirigentes petistas e bolsonaristas classificam o avanço como um possível “voo de galinha”, diante da falta de estrutura partidária e de engajamento digital suficientes para sustentar uma ascensão até o segundo turno.
O crescimento, porém, acendeu um alerta nas duas campanhas. A preocupação é que eleitores que rejeitam a polarização possam perder o interesse em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio e optem pela abstenção.
Diante desse cenário, PT e PL avaliam que a eleição poderá ser decidida pela capacidade de mobilizar o eleitorado moderado e desiludido com a disputa entre os dois polos. As campanhas já estudam estratégias para estimular a participação no segundo turno.
O PT prepara peças voltadas a filhos e netos, incentivando familiares a levar idosos às urnas, segmento em que Lula apresenta vantagem. O PL, por sua vez, pretende reforçar o discurso de mudança entre os jovens, inclusive para evitar que possíveis eleitores de Renan Santos (Missão) deixem de votar em uma eventual disputa contra Lula.