Cury é contra controle de redes sociais, mas promete taxar big techs e sugere ‘jejum digital’ às famílias
Em sabatina, candidato do Avante defendeu tributação pesada de plataformas e restrições ao acesso de crianças
O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou, durante sabatina promovida por O GLOBO, CBN e Valor, ser contrário ao controle das redes sociais e à proibição de plataformas como o Discord. Ao mesmo tempo, defendeu uma tributação elevada sobre as grandes empresas de tecnologia e disse que pretende levar o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, a um tribunal internacional.
Cury também sugeriu que as famílias adotem um “jejum digital” nos fins de semana e afirmou que crianças de até 14 anos não deveriam ter contato com redes sociais. Segundo ele, o uso excessivo dessas plataformas pode provocar dependência, ansiedade e irritabilidade entre adolescentes.
“Não sou a favor de controlar as redes sociais, é um ambiente de liberdade”, afirmou. O candidato disse ainda ser contrário ao banimento do Discord, mas defendeu punições financeiras para plataformas caso fique comprovada relação entre seu uso e casos de automutilação ou tentativa de suicídio.
Cury diferenciou as plataformas dos influenciadores digitais. Ele afirmou que não pretende restringir a atuação dos criadores de conteúdo e defendeu que integrantes do governo também utilizem as redes para promover o Brasil no exterior.
Para o candidato, empresas como Meta e TikTok deveriam ser submetidas a uma tributação semelhante à aplicada a produtos que provocam dependência. “Temos que taxar em níveis como se fosse cigarro. Se gera dependência, vamos colocar uma taxação altíssima”, declarou.
Cury comparou ainda as redes sociais às bets e afirmou que a tributação deveria incidir sobre os lucros das plataformas, e não sobre os influenciadores.
Na sabatina, o candidato também defendeu um ajuste nas contas públicas, com auditoria e revisão de programas governamentais. Ele afirmou que pretende adotar uma política fiscal capaz de reduzir a pressão sobre os juros e criticou os efeitos da taxa Selic sobre setores produtivos.
“Já arrecadamos demais e entregamos de menos. Vou arrecadar de big techs e bets”, afirmou.