Itamaraty abre diálogo com oposição argentina em meio à crise entre Lula e Milei
Cerca de 10 parlamentares argentinos devem ser recebidos em Brasília na próxima semana para discutir a relação entre os dois países O governo d
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tentando abrir novos canais de diálogo com a Argentina para diminuir a tensão entre os dois países. Na próxima semana, cerca de 10 deputados argentinos que fazem oposição ao presidente Javier Milei devem viajar a Brasília para reuniões com integrantes do governo brasileiro.
Os encontros devem envolver representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Relações Institucionais. As agendas ainda estão sendo organizadas e os temas que serão tratados também não foram definidos. A ideia do governo brasileiro é conversar tanto com parlamentares da oposição quanto com integrantes do governo Milei. Segundo assessores de Lula, o objetivo é deixar os recentes desentendimentos de lado e manter funcionando normalmente a relação entre Brasil e Argentina.
Apesar disso, as relações diplomáticas entre os dois governos continuam rebaixadas ao nível de encarregados de negócios, sem a atuação de embaixadores. A medida foi adotada em meio à sequência de críticas e ataques de Milei contra Lula. O presidente argentino já chamou Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”. Do lado brasileiro, ministros também fizeram críticas a Milei. O chanceler Mauro Vieira afirmou que o rebaixamento das relações deve continuar enquanto os ataques contra o presidente brasileiro não terminarem.
Entre os deputados argentinos envolvidos nas conversas estão Nicolás Massot e Martín Lousteau. Os parlamentares afirmam que pretendem criar um canal de diálogo entre os Congressos dos dois países e ajudar a recuperar a relação entre Brasil e Argentina. A aproximação acontece em um momento de forte disputa política na região. Milei declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições brasileiras de outubro, o que também contribui para aumentar as diferenças políticas entre os governos.