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Ex-número 3 da PF é indiciado sob suspeita de corrupção em inquérito sobre mineração

Arthur Vieira

A Polícia Federal indiciou o delegado Rodrigo Teixeira, ex-integrante da cúpula do órgão, sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de investigação. Ele é um dos principais investigados em um dos braços da Operação Rejeito, que apura supostos crimes relacionados ao setor de mineração em Minas Gerais e à Agência Nacional de Mineração (ANM).

Ao todo, dez pessoas foram indiciadas. Segundo o relatório da PF, Teixeira teria mantido uma atuação oculta no mercado de mineração enquanto ocupava cargos públicos, utilizando empresas e articulando-se com empresários investigados. A corporação afirma ainda que ele teria usado a posição para interferir em investigações, acessar informações sigilosas e repassar dados.

De acordo com a investigação, empresas ligadas ao delegado teriam recebido direitos minerários que já renderam mais de R$ 4 milhões e podem alcançar R$ 27 milhões, segundo estimativa pericial. A PF afirma que Teixeira teria colocado sua influência institucional e acesso a órgãos públicos a serviço do grupo investigado.

A defesa contesta as conclusões. O advogado Bruno Cesar afirmou que o relatório é “carente de substrato probatório” e omite depoimentos de outros delegados que, segundo ele, afastariam a hipótese de que Teixeira tenha atuado para atrapalhar investigações.

Teixeira ocupou o cargo de diretor administrativo da PF entre janeiro de 2023 e março de 2025, posição considerada a terceira mais importante na estrutura da instituição durante o governo Lula. Ele também chefiou a Superintendência da PF em Minas Gerais entre 2018 e 2019 e chegou a ser preso preventivamente em setembro de 2025, durante a deflagração da operação.

As investigações também alcançam o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, que foi indiciado anteriormente por suspeita de integrar uma associação criminosa relacionada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral. Sousa nega irregularidades.

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