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Política

O que pesa contra Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026

Arthur Vieira

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à disputa presidencial de 2026 tentando construir uma imagem mais moderada que a do pai, Jair Bolsonaro. Apesar disso, o candidato enfrenta desgastes relacionados ao histórico político, à falta de experiência no Executivo, a investigações envolvendo seu nome e à elevada rejeição eleitoral.

Um dos episódios mais recentes envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio admitiu ter pedido recursos para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas pela imprensa mostram o senador cobrando novos recursos de Vorcaro. Flávio nega ter recebido dinheiro ou oferecido vantagens em troca.

A tentativa de apresentar um perfil mais moderado também esbarra no histórico do senador. Em 2005, quando era deputado estadual, Flávio homenageou o ex-PM Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado como líder de uma milícia do Rio. Mais recentemente, defendeu que um eventual presidente de direita deveria se comprometer a indultar Jair Bolsonaro e afirmou que poderia usar força para impedir uma reação do STF, embora tenha negado qualquer ameaça.

Outro ponto explorado pelos adversários é a ausência de experiência administrativa. Flávio ocupou quatro mandatos de deputado estadual e é senador, mas nunca comandou um órgão do Executivo, secretaria, prefeitura ou governo estadual.

O senador também carrega o desgaste das investigações sobre supostas “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. O Ministério Público estimou o desvio em cerca de R$ 6 milhões e chegou a denunciá-lo por organização criminosa.

As investigações foram posteriormente anuladas pelo STF e pelo STJ, impedindo o avanço da acusação criminal. Flávio nega irregularidades e atribui as suspeitas ao ex-assessor Fabrício Queiroz.

O MP-RJ também apontou cerca de R$ 977 mil em gastos sem origem comprovada entre 2010 e 2014, além de suspeitas relacionadas a depósitos em dinheiro vivo em uma franquia da Kopenhagen ligada ao senador. Flávio sempre negou as acusações.

Na política externa, sua proximidade com Donald Trump também pode gerar resistência. O senador defende uma relação estratégica mais estreita entre Brasil e Estados Unidos, discurso que adversários classificam como ameaça à soberania nacional.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, Flávio tem 46% de rejeição, contra 45% de Lula. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio. Entre as mulheres, a vantagem do petista aumenta: 51% a 38%.

Assim, Flávio enfrenta o desafio de ampliar seu eleitorado para além da base bolsonarista, reduzir a rejeição e convencer setores que apresentam resistência ao sobrenome Bolsonaro.

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