O que pesa contra Lula nas eleições de 2026
Endividamento das famílias, fila do INSS, investigações envolvendo Lulinha, resistência entre evangélicos e idade avançada estão entre os principais desafios do presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à disputa pela reeleição em 2026 carregando desgastes acumulados durante o terceiro mandato. Entre os principais pontos explorados pelos adversários estão a situação financeira das famílias, a fila do INSS, investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o chamado Lulinha, além da resistência entre eleitores evangélicos e do debate sobre sua idade.
O endividamento das famílias atingiu níveis elevados durante o atual governo. Segundo dados citados do Banco Central, desde outubro de 2025 os brasileiros comprometem cerca de 29% da renda com dívidas financeiras, maior percentual em pelo menos duas décadas. A inadimplência também alcançou patamar elevado, especialmente entre as famílias de menor renda. O governo lançou uma nova versão do Desenrola em maio, buscando ampliar a renegociação de dívidas.
Outro problema é a fila do INSS. Lula havia prometido reduzir o estoque de pedidos, mas o número chegou a 3,1 milhões de requerimentos no início deste ano. Embora o governo informe que a fila caiu posteriormente para 1,28 milhão, o tema continua sendo explorado pelos adversários. Flávio Bolsonaro, por exemplo, incluiu em seu programa de governo o projeto “Brasil Sem Fila”.
O eleitorado evangélico também representa um desafio para Lula. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula teria vantagem de 47% a 43% no conjunto do eleitorado. Entre os evangélicos, porém, o cenário se inverte: Flávio aparece com 62%, contra 29% de Lula.
Entre as mulheres, Lula costuma apresentar desempenho melhor que o adversário, mas declarações consideradas machistas feitas pelo presidente também são utilizadas por opositores para criticá-lo. O cenário eleitoral ainda é influenciado pelo debate sobre violência contra a mulher e pelos números de feminicídios registrados no país.
O nome de Lulinha também entrou no radar da oposição após aparecer nas investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.
Lulinha não foi indiciado, mas teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por determinação do STF. A defesa nega participação nas fraudes. Lula afirmou que, caso o filho esteja envolvido, ele deverá ser investigado.
Outro episódio que gerou desgaste foi o repasse de R$ 249 mil feito pela empresária Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele afirma que o valor foi um empréstimo pessoal já quitado e nega qualquer irregularidade.
Lula completará 81 anos na semana da eleição, e a idade deve permanecer no centro do debate eleitoral. Adversários já exploram a diferença geracional em relação a Flávio Bolsonaro, que tem 45 anos. O próprio presidente já afirmou que precisa estar em boas condições de saúde para disputar um novo mandato.
Além disso, a popularidade do governo é outro ponto de atenção. Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto mostrou 41% de avaliação negativa e 33% de avaliação positiva. Outros 25% classificaram a gestão como regular. Na taxa de aprovação, 50% disseram reprovar o governo, enquanto 47% afirmaram aprová-lo.
Com esses fatores, Lula entra na corrida eleitoral com uma base política consolidada, mas também diante de uma série de temas que podem ser explorados pela oposição para tentar ampliar a rejeição ao governo e dificultar sua busca por um quarto mandato presidencial.