Ratos, cobras e inquéritos parados: MPAL encontra condições insalubres em delegacia no Trapiche
Inspeção identificou problemas estruturais, falta de acessibilidade, efetivo reduzido e veículos apreendidos abandonados no pátio
A Delegacia do 22º Distrito Policial, no Trapiche da Barra, em Maceió, funciona em condições precárias e insalubres, segundo uma inspeção realizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) nesta segunda-feira (24).
A fiscalização identificou a presença de mosquitos, ratos e cobras, além de problemas estruturais, falta de acessibilidade, efetivo reduzido e acúmulo de inquéritos. De acordo com a promotora Karla Padilha, titular da Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial, a unidade também não possui espaço adequado para atender pessoas que procuram a delegacia.
“Lamentavelmente, é um espaço sem acessibilidade. Tem uma escada enorme pela qual pessoas com dificuldade de locomoção não conseguem passar para chegar à sala onde são confeccionados os boletins de ocorrência”, afirmou a promotora.
A unidade possui apenas sete servidores, incluindo o delegado. Segundo Karla Padilha, os policiais ainda trabalham em regime de rodízio, o que reduz a quantidade de profissionais disponíveis diariamente para atender a população e conduzir as investigações.
A inspeção também apontou problemas relacionados ao andamento dos inquéritos, com procedimentos acumulados na unidade.
Outro problema encontrado foi a permanência de carros e motocicletas apreendidos que já deveriam ter sido retirados da delegacia. Os veículos estão em um pátio interno com vegetação alta e ficam expostos às condições climáticas.
“O Trapiche da Barra é um bairro que necessita de uma delegacia com excelência de atendimento. A gente lamenta encontrar uma situação como essa. O cidadão precisa ter dignidade no atendimento, principalmente quando é vítima de um crime”, declarou Karla Padilha.
A vistoria integra uma série de fiscalizações realizadas pelo MPAL em unidades da Polícia Civil. O trabalho avalia as condições estruturais e de salubridade, o andamento dos inquéritos e a capacidade dos efetivos responsáveis pelo atendimento e pelas investigações.
Após as inspeções, o Ministério Público poderá encaminhar ofícios e recomendações aos órgãos responsáveis. Conforme a gravidade dos problemas identificados, o órgão também avalia a possibilidade de ajuizar ações civis públicas contra o Estado de Alagoas.