Braskem pede recuperação extrajudicial em meio a crise bilionária e pressão de credores
Empresa enfrenta pressão de credores, aumento das dívidas e impactos financeiros ligados ao caso do afundamento do solo em Alagoas.
A Braskem entrou com pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (24), em meio a dificuldades para reorganizar as dívidas. O mecanismo permite que a empresa negocie diretamente com os credores e, depois, leve o acordo à Justiça para homologação. Caso não consiga o apoio necessário, o processo pode ser convertido em recuperação judicial.
A empresa já vinha negociando uma reestruturação com os credores há pouco mais de um mês. Em junho, as agências Fitch e S&P Global rebaixaram a classificação dos papéis da Braskem, citando o alto endividamento e as dificuldades financeiras. O período de 60 dias de proteção contra cobranças e execuções de credores terminou nesta segunda-feira sem um acordo fechado.
Segundo a apuração da CNN, os bancos cobraram garantias envolvendo ativos da própria empresa e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões, proposta que foi recusada pela Braskem. Uma proposta apresentada pela controladora IG4 prevê o prazo de cinco anos para o pagamento das dívidas e 30 meses de carência de juros, sem redução do valor principal ou troca da dívida por participação na empresa.
A situação ocorre em um cenário difícil para a companhia e para o setor petroquímico, que enfrenta excesso de oferta, margens menores e demanda fraca. Em Alagoas, a Braskem também carrega um passivo bilionário relacionado ao afundamento do solo causado pela exploração de sal-gema, que afetou cerca de 60 mil pessoas e levou à condenação de aproximadamente 14 mil imóveis. A empresa ainda enfrenta os impactos do aumento dos juros e da dívida em moeda estrangeira. Na semana passada, a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, também entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, pelo chamado Chapter 11.