Logo
Dólar 5,14
Euro 6,01
Algumas nuvens Maceió: 24º
Geral
politica

Lula diz a Trump que Brasil não precisa classificar facções criminosas como terroristas

Presidentes conversaram por mais de uma hora sobre combate ao crime organizado, tarifas americanas e temas internacionais

Arthur Vieira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta sexta-feira (21). Segundo o Palácio do Planalto, a ligação durou uma hora e 20 minutos e ocorreu em tom “amistoso e cordial”.

Durante a conversa, Lula afirmou que o Brasil não precisa classificar facções criminosas como organizações terroristas para combater o crime organizado. O presidente defendeu a cooperação entre os dois países, com compartilhamento de informações e ações coordenadas. Em maio, os Estados Unidos haviam classificado o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula argumentou que as organizações criminosas exercem violência cotidiana sobre populações vulneráveis, mas não se confundem com grupos terroristas. O presidente também apresentou medidas adotadas pelo governo brasileiro para combater o crime organizado, incluindo ações para “asfixiar financeiramente” as facções, a transformação de 138 presídios em unidades de segurança máxima, o projeto de lei Antifacção e a PEC da Segurança Pública.

O governo brasileiro também informou que Trump se colocou à disposição para ampliar a cooperação bilateral e indicou que funcionários de alto escalão dos Estados Unidos deverão participar das próximas discussões sobre segurança.

Outro tema tratado na ligação foram as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o Planalto, Lula afirmou que os argumentos apresentados pelo governo americano para justificar as medidas são “infundados” e defendeu a continuidade das negociações.

O presidente brasileiro destacou que as tarifas prejudicam os dois países e afirmou que a manutenção de relações comerciais fortes é de interesse mútuo. Ainda de acordo com a Secom, Trump concordou sobre a importância de preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes dos dois governos retomassem as reuniões “o mais brevemente possível”.

O governo brasileiro avalia que as medidas americanas possuem também motivação política e tem manifestado preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e sobre as relações comerciais entre os dois países.

Receba notícias em seu WhatsApp
Participe da nossa comunidade