Atuação de Lulinha em negociações com governo foi encoberta por amiga lobista e ‘Careca do INSS’, diz PF
Mensagens e documentos mostram estratégia para dissimular atuação, segundo inquérito; envolvidos negam irregularidades.
A participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas negociações com o governo federal foi encoberta pela empresária Roberta Luchsinger, amiga dele, e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". A PF apura um suposto tráfico de influência de Lulinha para abrir as portas da gestão do pai a Luchsinger, de quem é amiga.
A tentativa de encobrir a atuação de Lulinha na investida para emplacar contratos no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos aparece em mensagens enviadas por Roberta a interlocutores e em depoimentos de testemunha, segundo a PF
"Registra-se, ainda, a reiterada preocupação demonstrada pelos investigados em ocultar a associação entre ambos e a participação de um terceiro, cuja identidade, segundo fontes autônomas e independentes, apontaria para indivíduo de elevada relevância política, por ser filho do presidente da República", afirmou a Polícia Federal em relatório, em referência a Lulinha.
Lulinha, Roberta e o empresário Fernando Bittar, que já foi sócio do filho do presidente, tinham um grupo no WhatsApp para tratar das negociações com o governo, segundo a investigação. O objetivo era que as movimentações ocorressem sem chamar a atenção para o primogênito de Lula.
“Fábio não faz nada. Ele só entra em campo quando precisa. Tem que se preservar”, escreveu Roberta em 21 de janeiro de 2024 a um interlocutor.