Governo eleva para R$ 200 mil teto de financiamento para motoristas de aplicativos
Mudança busca ampliar adesão ao programa Move Aplicativos, que liberou apenas 11% dos R$ 30 bilhões disponíveis
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos veículos que podem ser financiados por motoristas de aplicativos e taxistas pelo programa Move Aplicativos. A nova regra também amplia a possibilidade de financiamento para veículos híbridos elétricos. A alteração foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (19).
A mudança ocorre após a baixa adesão ao programa. Até o momento, apenas 11% dos R$ 30 bilhões disponibilizados pelo BNDES foram concedidos. O governo avalia que a elevação do teto poderá aumentar a oferta de modelos, a concorrência e as opções disponíveis aos profissionais.
Com a nova regra, o governo estima que o programa passe a alcançar 88% dos veículos disponíveis no mercado, contra 63% anteriormente. A intenção também é atingir motoristas que atuam em categorias de maior padrão, como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus.
O programa permite que motoristas de aplicativos e taxistas com cadastro ativo há pelo menos um ano e, no mínimo, 100 corridas no período busquem financiamento. Os veículos precisam ser produzidos por montadoras habilitadas no programa Mover e atender aos critérios de sustentabilidade, podendo ser flex, híbridos ou híbridos a etanol.
Outra alteração modifica a definição de veículo híbrido, permitindo incluir modelos que combinam eletricidade com outro combustível, como gasolina ou etanol. O programa foi criado por medida provisória publicada em junho e tem validade até 15 de setembro.
Um dos obstáculos para a adesão é a taxa de juros definida para as operações. O Move Brasil estabelece juros de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, abaixo da média de 28% ao ano registrada no mercado para financiamentos de automóveis, segundo dados monitorados pelo governo.
Motoristas de plataformas como Uber e 99, porém, relatam dificuldades para conseguir o crédito, incluindo negativas de bancos e redução da pontuação no Serasa após consultas sucessivas. A ampliação do teto ocorre em meio ao esforço do governo para aumentar a adesão ao programa e aproximar o público de motoristas de aplicativos, grupo considerado estratégico no cenário eleitoral.