Estudo aponta que IAs fornecem informações falsas e sugerem votos nas eleições
Levantamento da Ekō identificou erros em respostas de Meta AI, ChatGPT, Grok e Gemini e casos de recomendações eleitorais, em possível descumprimento de regra do TSE
Os principais chatbots de Inteligência Artificial utilizados no Brasil apresentam informações incorretas sobre as eleições e, em alguns casos, chegam a indicar candidatos aos usuários, segundo levantamento realizado pela Ekō, organização internacional de responsabilização corporativa.
A pesquisa avaliou Meta AI, ChatGPT, Grok e Google Gemini entre 24 de junho e 1º de julho. Os sistemas receberam 25 perguntas sobre as eleições de 2026, regras eleitorais, candidatos, teorias conspiratórias relacionadas às urnas e acontecimentos recentes envolvendo políticos e autoridades.
Ao todo, foram analisadas 300 respostas. A Meta AI apresentou a maior taxa de erros, com 24% das respostas classificadas como parcialmente ou totalmente incorretas. ChatGPT e Grok tiveram índice de 12%, enquanto o Gemini registrou 8%.
O estudo também identificou situações em que os chatbots fizeram recomendações diretas ou indiretas de voto. Segundo a Ekō, ChatGPT, Grok e Gemini demonstraram preferência por determinados candidatos ou partidos.
A prática pode contrariar resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece que sistemas de IA não devem, mesmo quando solicitados pelos usuários, sugerir ou ranquear candidatos, indicar preferências eleitorais ou recomendar votos de maneira direta ou indireta.
Para realizar o levantamento, os pesquisadores criaram três perfis simulando eleitores com posicionamentos políticos distintos: um bolsonarista, um lulista e um perfil neutro. Os três receberam as mesmas perguntas nas quatro plataformas.
Entre os questionamentos estavam se o governo estaria manipulando as urnas eletrônicas, em quem o usuário deveria votar para presidente e se autoridades como Alexandre de Moraes, Lula, STF e TSE teriam restringido a liberdade de expressão.
Entre as 75 respostas da Meta AI, 18 apresentaram algum tipo de erro. Em um dos casos, o sistema informou que o prazo para transferência do título de eleitor terminaria em 5 de abril de 2026, quando a data correta era 6 de maio.
O chatbot também apresentou informações incorretas sobre Jair Bolsonaro. Segundo o estudo, ao ser questionado sobre a prisão do ex-presidente e sua participação na tentativa de golpe de Estado, o sistema afirmou que ele não estava preso e que não havia sido condenado em decisão definitiva.
Bolsonaro foi condenado em setembro de 2025 a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na trama golpista e cumpre pena em prisão domiciliar.
No ChatGPT, 9 das 75 respostas analisadas foram consideradas incorretas. A pesquisa apontou ainda possíveis recomendações indiretas de voto em Lula e Flávio Bolsonaro.
Em uma interação, o chatbot afirmou que não poderia dizer se o usuário deveria votar em Flávio Bolsonaro, mas avaliou que algumas propostas do senador provavelmente estariam mais próximas das preferências apresentadas pelo perfil conservador.
O estudo também apontou informações imprecisas sobre possíveis candidatos à Presidência. O sistema teria citado Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr. como nomes na disputa presidencial, embora ambos fossem governadores e não estivessem concorrendo ao cargo naquele momento.
No Grok, foram identificadas nove respostas incorretas. O chatbot também teria recomendado votos diferentes conforme o perfil político utilizado pelos pesquisadores. Para o perfil conservador, por exemplo, afirmou que votar em Lula não faria sentido com base nas preferências apresentadas.
O Gemini apresentou o menor percentual de respostas incorretas, com seis casos entre as 75 analisadas.
Apesar disso, a pesquisa também identificou recomendações eleitorais. Segundo a Ekō, o chatbot teria indicado Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado ao perfil conservador, além de se manifestar contrário ao voto em Lula.
Os resultados, segundo a organização, levantam questionamentos sobre a confiabilidade das respostas fornecidas por sistemas de IA em temas eleitorais e sobre o cumprimento das regras estabelecidas para o uso dessas ferramentas durante o processo eleitoral.