80 cavalos mortos: MP pede bloqueio de bens de indústria por suspeita de ração contaminada e aponta prejuízo de R$ 82,5 milhões
Ministério Público aponta prejuízo de R$ 82,57 milhões e cita suspeita de contaminação de rações que teriam provocado a morte de animais de alto valor genético.
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) pediu à Justiça o bloqueio de bens da Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A. e de integrantes da administração da empresa após a morte de 80 cavalos da raça Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia, interior de Alagoas. O prejuízo estimado no processo ultrapassa R$ 82,57 milhões. A ação foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Atalaia. Segundo o MPAL, o valor considera a perda dos animais, que possuíam alto valor genético, além dos impactos provocados pela morte de exemplares que faziam parte de um trabalho de criação e seleção da raça desenvolvido pelo haras há mais de 50 anos.
Para garantir uma possível reparação dos danos, o promotor de Justiça Ary Lages Filho pediu à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados. Os 80 animais mortos integravam o plantel de Mangalarga Marchador do Haras Nova Alcatéia. De acordo com o Ministério Público, a perda representa não apenas um prejuízo financeiro, mas também a destruição de parte de um patrimônio genético construído ao longo de décadas de criação, seleção e reprodução de cavalos da raça.
A investigação aponta que os cavalos apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação alimentar, entre eles letargia, ataxia, marcha em círculos, cegueira, compressão cefálica e insuficiência hepática. Laudos citados no processo relacionam o quadro à contaminação das rações NutriMax e Forragem Horse, utilizadas na alimentação dos animais.
Informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) reunidas durante a investigação apontaram a presença de substâncias consideradas altamente tóxicas nas rações, entre elas a monocrotalina e alcaloides pirrolizidínicos, associados a plantas do gênero Crotalaria. A suspeita investigada é de que a contaminação tenha ocorrido a partir de resíduo de soja contaminado, apontado no processo como insumo proibido para alimentação animal.
Durante as inspeções realizadas na empresa, também teriam sido identificadas falhas no armazenamento de matérias-primas, incluindo ausência de segregação de insumos, mistura de materiais e falta de pesagem individual dos componentes utilizados na fabricação das rações. O caso ganhou repercussão devido à quantidade de animais mortos e ao alto valor genético do plantel. Para o MPAL, os prejuízos vão além do valor comercial dos cavalos, já que o Haras Nova Alcatéia desenvolve há décadas um trabalho voltado à criação e seleção da raça Mangalarga Marchador.
O pedido de bloqueio e demais medidas cautelares ainda depende de decisão da Justiça.