OMS critica mudanças na vacinação infantil dos EUA por falta de respaldo científico
Entidade alerta que redução e alteração do calendário podem aumentar a exposição de crianças a doenças infecciosas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou, nesta quarta-feira (12), as mudanças promovidas pelo governo de Donald Trump no calendário de vacinação infantil dos Estados Unidos. Para o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, as medidas “não estão alinhadas com a melhor evidência científica”.
Uma ordem executiva assinada por Trump dois dias antes prevê a redução do calendário infantil para 11 vacinas. O texto também recomenda separar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três doses, aplicadas em consultas diferentes.
A medida atende a uma antiga defesa do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., que já promoveu uma relação entre vacinas e autismo, hipótese amplamente refutada pela ciência.
Segundo Tedros, décadas de evidências indicam as idades mais adequadas para a vacinação infantil e mostram que atrasar ou separar doses pode aumentar o risco de doenças infecciosas. “A evidência atual é inequívoca. As vacinas, incluindo a vacina MMR, são seguras e não causam autismo”, afirmou.
Médicos também rejeitaram as mudanças, argumentando que não existem novas evidências científicas que justifiquem a alteração. Para especialistas, a redução das vacinas recomendadas pode deixar mais crianças vulneráveis a doenças preveníveis.