O caso de um homem esquartejado, com partes do corpo encontradas na Lagoa Mundaú, levou o Deputado Federal Delegado Fabio Costa a voltar a fiscalizar a forma como Alagoas registra mortes violentas. Segundo ele, ocorrências com sinais evidentes de crime podem permanecer classificadas como “morte a esclarecer” e acabam não entrando na conta dos homicídios. “Essa guerra de números que muita gente viu em Tropa de Elite infelizmente acontece na vida real aqui em Alagoas”, afirmou.

Fabio diz que a preocupação não surgiu agora. O deputado já havia procurado o Ministério da Justiça após identificar diferenças entre os números apresentados pelo Estado e os dados nacionais. Segundo ele, a resposta recebida indicou que os critérios usados em Alagoas para alguns achados de cadáver poderiam não seguir o padrão nacional. Para o parlamentar, quando a estatística não mostra toda a realidade, fica mais difícil entender o tamanho do problema e cobrar uma resposta eficiente.

Para explicar, Fabio usa uma conta simples. Se dez corpos são encontrados e cinco continuam como mortes a esclarecer, apenas os outros cinco aparecem como homicídios. O deputado afirma que a discussão não é apenas sobre números, mas sobre segurança pública, porque quem vive em Alagoas sente na rotina o medo da violência e precisa confiar que os dados oficiais retratam o que de fato acontece.

“Não dá para maquiar estatística e depois dizer que a violência caiu. A população quer segurança de verdade”, disse Fabio. Para ele, mortes com sinais de violência precisam de investigação rigorosa e de uma classificação clara, para que o poder público enfrente o problema como ele realmente é.