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Jornalista Alvo de Moraes é “reconhecidamente inimigo de Flávio Dino”, diz defesa

Advogados de Raimundo Cutrim afirmam que ex-secretário é fonte de jornalista e questionam investigação sobre denúncias envolvendo ministro

Arthur Vieira

A defesa de Raimundo Soares Cutrim, de 73 anos, divulgou nesta quarta-feira (12) uma nota pública sobre a operação de busca e apreensão realizada contra ele na terça-feira (11), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os advogados, Cutrim é apontado como fonte do jornalista maranhense Luís Pablo em reportagens que levantaram suspeitas sobre o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.

Na nota, o advogado José Berilo de Freitas Leite Filho afirma que Cutrim é um “reconhecido inimigo político pessoal” de Dino desde o período em que o atual ministro era governador do Maranhão e Cutrim exercia mandato de deputado estadual. A defesa também afirma que o ex-secretário havia relatado, em vídeo publicado em 11 de julho, ter recebido informações de que pessoas ligadas a Dino estariam anunciando uma possível prisão.

Segundo os advogados, Cutrim foi alvo de outras medidas judiciais em 17 de julho, determinadas por Dino, incluindo busca e apreensão e prisão preventiva, posteriormente convertida em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Menos de um mês depois, uma nova busca e apreensão foi determinada por Moraes, a partir de representação atribuída à investigação conduzida contra o ex-secretário.

A defesa afirma que, por os autos estarem sob sigilo, não pode confirmar nem negar que Cutrim tenha sido a fonte das reportagens de Luís Pablo. Os advogados, porém, sustentam que o caso envolve a garantia constitucional do sigilo da fonte jornalística, prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal. “Primeiro o jornalista, alvo de operação em março; agora a sua fonte. Investigam-se quem revelou a irregularidade, mas não a irregularidade em si”, diz a nota.

Os advogados também negaram qualquer participação de Cutrim nas movimentações financeiras atribuídas ao jornalista e ao advogado dele. Segundo a defesa, nenhum valor relacionado às transações mencionadas nas decisões divulgadas é atribuído ao ex-secretário. Os advogados afirmam que eventuais esclarecimentos serão apresentados após o acesso integral aos autos.

Ao final, a defesa afirma que Cutrim, delegado aposentado da Polícia Federal, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e ex-deputado estadual, nunca foi condenado por ilícito e mantém confiança na Justiça e no devido processo legal. As alegações apresentadas pela defesa integram o posicionamento dos advogados e deverão ser confrontadas com os elementos da investigação.

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