Homem diz ter recebido R$ 16,5 mil para repassar a mulher que acusaria Alfredo Gaspar de estupro
Declaração foi dada em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados
Um comerciante do Rio de Janeiro afirmou, em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, ter recebido R$ 16,5 mil em três transferências bancárias para repassar a uma jovem que, segundo seu relato, usaria uma identidade falsa para se apresentar como vítima de estupro do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Luiz Antônio Lopes prestou o depoimento em 23 de abril e disse estar disposto a entregar extratos e comprovantes para sustentar as declarações.
Segundo Lopes, foram recebidas transferências de R$ 2,5 mil, R$ 4 mil e R$ 10 mil, posteriormente sacadas e entregues à jovem, identificada por ele como Marcela. O comerciante também alegou ter participado de uma reunião virtual na qual estariam o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), um vereador de Nova Iguaçu conhecido como Toninho da Padaria e outras pessoas. O próprio relato, porém, não apresentou documentos ou gravações que comprovassem a realização dessa reunião.
Citado no depoimento, Lindbergh negou qualquer envolvimento e classificou a história como “picaretagem”. O parlamentar afirmou não conhecer os envolvidos e disse que não participou de reuniões para tratar do assunto. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver autoridade com foro por prerrogativa de função.
A controvérsia teve início após Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentarem, em março, uma notícia-crime à Polícia Federal atribuindo a Gaspar a prática de estupro de vulnerável. Gaspar nega as acusações e reagiu com medidas judiciais contra os parlamentares. O deputado também realizou exame de DNA e colocou seu material genético à disposição das autoridades. Até a publicação da reportagem que revelou o depoimento, Gaspar não havia sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).