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POLÍTICA

Ataques de Milei e deputado dos EUA ampliam tensão com Lula, diz professor

Professor de Relações Internacionais avalia que ataques nas redes podem se intensificar até a eleição e recomenda cautela do governo brasileiro nas respostas

Rhuan Leite

As novas críticas do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma publicação de tom provocativo feita pelo deputado americano Carlos Gimenez nas redes sociais refletem uma mudança na forma como disputas políticas internacionais ganham repercussão, segundo o professor Carlos Frederico de Souza Coelho, da PUC-Rio e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme).

No fim de semana, Gimenez publicou uma montagem em que o rosto do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi substituído pelo de Lula, acompanhado de uma garrafa de cachaça e da legenda “O que o espera... #Brasil”. Nesta segunda-feira, Milei voltou a fazer críticas ao presidente brasileiro.

Para Carlos Frederico, manifestações desse tipo tendem a aumentar com a proximidade das eleições e podem dificultar a separação entre questões de Estado e disputas eleitorais. “Estamos a 60 dias das eleições, e isso deve se intensificar”, afirmou.

O professor avaliou que o governo brasileiro deve evitar transformar toda provocação em uma resposta oficial. Segundo ele, manifestações feitas individualmente por políticos estrangeiros podem ganhar proporções maiores justamente quando recebem uma reação institucional.

“Se o governo responder, isso joga mais atenção para o assunto”, explicou Carlos Frederico. Na avaliação dele, o deputado americano é apenas um entre centenas de parlamentares dos Estados Unidos e sua publicação não representa, necessariamente, uma posição oficial do governo daquele país.

O especialista defendeu que o Brasil estabeleça uma diferenciação entre ataques institucionais e manifestações individuais que poderiam ser ignoradas. “É preciso tomar cuidado e traçar uma linha tênue entre o que é uma agressão institucional e o que é uma provocação que é melhor deixar sem resposta”, disse.

Na avaliação do professor, a interferência estrangeira também pode produzir efeitos eleitorais diferentes dos pretendidos por quem faz as manifestações. “A premissa geral é a de que eleitores não gostam de interferência externa”, afirmou.

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