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Votação de indicado de Trump para embaixada no Brasil é adiada no Senado dos EUA

Daniel Perez deve ser analisado nesta sexta-feira (7), junto a outras 73 nomeações; indicação ainda depende de aval do governo Lula

Peter Lucca

A votação do indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ocupar a embaixada americana no Brasil foi adiada após um impasse entre senadores. O republicano Daniel Perez deve ser votado nesta sexta-feira (7), em um bloco com outras 73 nomeações do governo.

A pauta estava prevista para a sessão de quinta-feira (6), que durou cerca de 12 horas, mas os senadores não chegaram a votar o pacote. Segundo veículos especializados na cobertura do Congresso americano, como Politico e The Hill, republicanos e democratas negociavam quais propostas seriam analisadas antes do início do recesso de cinco semanas.

O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou esperar para esta sexta a aprovação das 74 nomeações, além de um projeto de financiamento provisório para evitar uma paralisação do governo no fim de setembro e uma proposta de sanções contra a Rússia. Os republicanos também tentam votar a indicação de Todd Blanche para procurador-geral, mas ainda não têm os votos necessários.

Mesmo que Perez seja aprovado pelo Senado, ele ainda dependerá do agrément do governo brasileiro — a anuência formal para que um diplomata seja aceito como embaixador. Segundo o professor Lucas de Souza Martins, da Temple University, “não há como seguir com a indicação porque falta justamente a concessão do agrément”.

O impasse ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Na terça-feira (4), o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Uma autoridade americana classificou a medida como uma ação “recíproca” pela demora brasileira em conceder o agrément a Perez e afirmou que o visto será restabelecido caso o aval seja concedido.

O Palácio do Planalto, por sua vez, afirmou que o processo de concessão do agrément é confidencial e que o nome indicado só deveria ser divulgado após a anuência. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise”, declarou o governo brasileiro.

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