Caso envolvendo ex-assessor de Lula amplia crise das fraudes no INSS
Empresária teria feito pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente; oposição quer investigar possível acesso antecipado a informações da PF
A crise envolvendo as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao Palácio do Planalto após a revelação de que a empresária Roberta Luchsinger teria feito pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marco Aurélio deixou o cargo em 21 de julho, antes da divulgação das informações. O caso levantou questionamentos sobre o motivo da exoneração e sobre um possível conhecimento prévio das investigações.
A analista de política Isabel Mega afirmou que, dentro do PT, já existiria a avaliação de que Marcola poderia se tornar alvo das investigações.
"Corre dentro do PT a visão de que já se sabia que, em algum momento, Marcola poderia se tornar alvo. E que isso traz um impacto que é temido pela campanha do presidente Lula", afirmou.
Para Mega, o episódio representa uma mudança no cenário político e pode fortalecer os adversários de Lula na disputa presidencial.
"A gente observa uma mudança, que pode ser momentânea ou não, depende do que vai acontecer do outro lado, mas é uma virada de jogo que dá muito combustível aos principais adversários do presidente Lula. A crise abre a porta da frente do Palácio do Planalto", declarou.
Ex-assessor nega irregularidades
Marco Aurélio era um dos principais assessores de Lula e atuava na organização da agenda presidencial e na intermediação de contatos políticos.
Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Roberta Luchsinger teria realizado pagamentos ao ex-chefe de gabinete.
Em nota, Marco Aurélio afirmou ter recebido "com surpresa" a informação e disse que os valores eram referentes a um empréstimo pessoal já quitado. Ele também negou qualquer relação que pudesse caracterizar ilegalidade.
A oposição pretende levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). O PL prepara um pedido de investigação para apurar se integrantes do Palácio do Planalto tiveram acesso antecipado a informações da Polícia Federal sobre o caso antes da exoneração de Marco Aurélio.
O episódio adiciona um novo foco de pressão sobre o governo Lula em meio às investigações sobre as fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS.