IA começa a pressionar preços e encarece custos
Investimentos em inteligência artificial já afetam contas de energia, chips, eletrônicos, softwares e até custos de construção no país
A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos começa a pressionar os preços de diversos produtos e serviços. Segundo estimativas, os investimentos em IA devem chegar a cerca de US$ 750 bilhões em 2026, contribuindo para uma inflação mais elevada.
De acordo com Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, o impacto da IA representa cerca de 0,2 ponto percentual da inflação. Ele estima que as famílias precisam gastar pouco mais de US$ 375 a mais para comprar os mesmos bens e serviços do ano passado devido ao efeito inflacionário relacionado à tecnologia.
Embora o impacto ainda seja limitado a algumas categorias, economistas alertam que a pressão pode se espalhar.
Energia elétrica
Os data centers utilizados para desenvolver e operar sistemas de IA consomem grandes quantidades de eletricidade e água. A expansão dessas estruturas tem aumentado a demanda por energia em um ritmo superior ao crescimento da oferta.
Segundo Pooja Sriram, economista do Barclays, os data centers “estão exigindo volumes colossais de energia”, o que reduz a disponibilidade para consumidores e contribui para a alta dos preços no mercado atacadista.
Dados do CPI mostram que as tarifas de energia residencial subiram cerca de duas vezes mais rápido em 2025 do que a média dos anos anteriores. Nos primeiros cinco meses de 2026, o ritmo de alta foi ainda maior. Em junho, os preços da eletricidade recuaram 1%, mas acumulavam alta de 4% em 12 meses.
Chips e eletrônicos
A demanda dos data centers também provocou aumento na procura por chips de memória de alto desempenho. Segundo Sriram, a indústria passou a priorizar componentes destinados aos sistemas de IA, reduzindo a oferta de chips utilizados em produtos de consumo.
Até junho, os preços no atacado de semicondutores e componentes eletrônicos acumulavam alta de 26% em um ano, segundo o Índice de Preços ao Produtor (PPI).
A pressão já chegou aos consumidores. Apple, Sony e Microsoft reajustaram preços de produtos como computadores e consoles, citando, entre outros fatores, o aumento dos custos de memória e armazenamento.
“Estamos nas rodadas iniciais dessas pressões nos preços ao consumidor”, afirmou Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon.
Softwares também ficam mais caros
O avanço da IA também tem sido usado pelas empresas para justificar reajustes em serviços digitais. Em fevereiro, a Microsoft aumentou os preços do Office 365 pessoal em 43%, enquanto o plano familiar teve alta de 30%. A mudança ocorreu após uma década sem reajustes e incluiu o Copilot, assistente de inteligência artificial da empresa.
Construção civil
A expansão dos data centers também aumenta a demanda por materiais como cobre, fiação elétrica e mão de obra especializada.
Para Thierry Wizman, estrategista do Macquarie Group, a construção de grandes instalações de IA pode estar contribuindo para elevar os salários do setor. Segundo ele, esse movimento pode ter reflexos até mesmo no mercado imobiliário.
“Pode ser o caso de que o aumento expressivo nos salários da construção civil esteja pressionando também o preço das casas”, afirmou.
Economistas ressaltam que ainda é cedo para dimensionar completamente o impacto da inteligência artificial sobre a inflação. No entanto, os efeitos já aparecem em setores ligados à energia, componentes eletrônicos, tecnologia e construção civil.