Estudo indica que surto de Ebola no Congo começou quatro meses antes do anúncio oficial
Pesquisa financiada pela OMS aponta que a doença já provocava mortes desde janeiro, quatro meses antes do reconhecimento oficial da epidemia
Uma investigação financiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode ter começado em janeiro deste ano, cerca de quatro meses antes da confirmação oficial dos primeiros casos. O estudo, conduzido por três cientistas internacionais, identificou indícios de que a doença já provocava mortes e se espalhava na cidade mineradora de Mongbwalu antes de a epidemia ser reconhecida pelas autoridades sanitárias.
Os pesquisadores passaram um mês na região e entrevistaram 97 pessoas, entre profissionais de saúde, líderes comunitários, sobreviventes e familiares de vítimas. Além dos depoimentos, a equipe analisou registros médicos, mensagens, fotografias e informações de funerais, identificando mais de 500 casos suspeitos entre janeiro e maio. Segundo os cientistas, quando o surto foi oficialmente declarado, a transmissão do vírus já estava disseminada em diferentes comunidades.
De acordo com a atualização mais recente da OMS, o surto já contabiliza 3.605 casos confirmados e 1.587 mortes, com taxa de letalidade de 44%. A doença se espalhou para cinco províncias da República Democrática do Congo e continua em expansão. A organização classificou a situação como uma emergência de saúde pública de importância internacional e alertou para o ritmo acelerado de transmissão, agravado pela ausência de vacinas e medicamentos aprovados contra a variante Bundibugyo do vírus.