Mãe vende pastéis há quase três décadas para pagar faculdade de duas filhas que cursam medicina
Marly Moreira transformou a banca na Feira da 304 Sul, em Palmas, em fonte de sustento da família e no caminho para realizar o sonho das filhas
Há histórias que vão muito além de uma rotina de trabalho. É o caso de Marly Moreira, feirante que há décadas mantém uma pastelaria na Feira da 304 Sul, em Palmas, no Tocantins. Com o trabalho diário, ela conseguiu sustentar a família e ajudar a realizar o sonho das duas filhas, que atualmente cursam medicina e estão no 5º período.
A trajetória começou a ganhar novos contornos em 1997, quando o marido de Marly perdeu tudo. Diante das dificuldades financeiras, ela decidiu continuar trabalhando e transformou a venda de pastéis em uma forma de garantir o sustento da família e investir na educação das filhas. Ao longo dos anos, cada venda ajudou a pagar despesas e mensalidades, mantendo de pé um projeto construído com esforço e perseverança.
A ligação de Marly com a feira é antiga. Registros da Prefeitura de Palmas mostram que, em 2013, ela já era proprietária de uma das pastelarias da Feira Coberta da 304 Sul. Na época, ela chegou a participar de uma ação de saúde realizada no local pelos serviços municipais.
A história também foi registrada pela própria Prefeitura em 2020, quando Marly afirmou que o trabalho nas feiras era fundamental para custear a formação das duas filhas. “Hoje eu pago a faculdade das minhas duas filhas com as vendas que eu faço na Feira do Bosque”, declarou na ocasião.
Agora, as duas jovens estão no 5º período de medicina e continuam próximas da mãe. Depois das aulas, elas ajudam no trabalho da família, participando da rotina que possibilitou a chegada delas à universidade.
A trajetória de Marly também se mistura à própria história das feiras de Palmas. A Prefeitura já registrou a participação de sua pastelaria em eventos gastronômicos da capital, inclusive com um pastel de filé de tucunaré com suco de cajá entre os pratos divulgados durante o Festival Gastronômico de Taquaruçu.
Mais do que uma história sobre a venda de pastéis, a trajetória representa décadas de trabalho e persistência. Desde a perda financeira enfrentada pela família até a formação das filhas, Marly transformou a dificuldade em oportunidade e fez da banca na feira uma ponte para um sonho que hoje começa a se concretizar.