PP mantém neutralidade na disputa presidencial e descarta Tereza Cristina como vice de Flávio Bolsonaro
Após consulta aos diretórios estaduais, partido decide não convocar convenção nacional e comunica à senadora que não apoiará sua participação na chapa do PL
O Progressistas (PP) decidiu manter sua posição de neutralidade na corrida presidencial e não autorizar a participação da senadora Tereza Cristina (MS) como candidata a vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). A definição ocorreu após consulta aos diretórios estaduais da legenda, que, por maioria, rejeitaram a possibilidade de integrar a aliança.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o partido informou que a decisão foi comunicada e aceita pela senadora.
"O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina", afirmou a legenda.
A consulta foi realizada depois que Tereza Cristina manifestou disposição para compor a chapa do PL. Inicialmente, a senadora havia descartado essa possibilidade em conversa com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, mas posteriormente sinalizou a aliados do PP que aceitava disputar a vice-presidência.
Com a mudança de posição, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), encarregou a própria Tereza Cristina de dialogar com dirigentes estaduais para tentar reverter a decisão da legenda. No entanto, a proposta encontrou resistência de lideranças influentes, entre elas o líder do partido na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), além dos deputados Aguinaldo Ribeiro (PB) e Eduardo da Fonte (PE), que defenderam a manutenção da neutralidade.
Nos bastidores, integrantes da direção nacional avaliaram que não seria estratégico abandonar o acordo político já construído para apoiar uma candidatura que ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua base de alianças. Também houve críticas à condução das negociações por parte da campanha de Flávio Bolsonaro.
A decisão representa um revés para a estratégia do PL de atrair a federação formada por PP e União Brasil para a campanha presidencial. Tereza Cristina era vista por dirigentes do partido como um nome capaz de fortalecer a chapa por sua proximidade com o Centrão e com o agronegócio.
Além da questão política, dirigentes do PP apontaram um impedimento previsto no estatuto da legenda. As regras internas exigem que uma convenção nacional seja convocada com antecedência mínima de oito dias. Como o prazo para a realização das convenções termina em 5 de agosto, uma eventual mudança dependeria de consenso interno, cenário considerado inexistente.
PP critica estratégia do PL
Integrantes da cúpula do Progressistas também avaliaram reservadamente que a pressão exercida por Flávio Bolsonaro para viabilizar Tereza Cristina como vice representou uma tentativa de constranger o partido a rever sua posição de neutralidade.
Segundo dirigentes, a estratégia foi semelhante à adotada anteriormente em relação ao Republicanos, quando Flávio passou a defender o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, para a vice-presidência sem o aval da direção da legenda. Na avaliação do PP, em ambos os casos houve uma tentativa de criar um fato político para aumentar a pressão sobre os partidos envolvidos.