PF aponta que Jaques Wagner recebeu vantagens de executivos do Banco Master
Relatórios enviados ao STF mencionam ligações frequentes, encontros, presentes, uso de aeronaves e negociações envolvendo um apartamento de R$ 2,45 milhões; senador é investigado e nega irregularidades.
A Polícia Federal (PF) detalhou, em relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma suposta relação de proximidade entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e executivos ligados ao Banco Master. Segundo a investigação, o parlamentar mantinha uma relação de confiança com o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima, conhecido como "Guga", o que teria facilitado contatos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, para tratar de pautas legislativas de interesse da instituição financeira.
De acordo com a PF, entre novembro de 2023 e maio de 2025, Wagner e Augusto Lima trocaram 74 ligações telefônicas, totalizando cerca de cinco horas e meia de conversa. Os relatórios também apontam indícios de que o senador teria recebido vantagens econômicas em possível contrapartida à atuação parlamentar, incluindo o uso de aeronaves, presentes, ingressos para shows e a suposta negociação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador.
A investigação ainda descreve encontros entre as famílias, viagens, troca de mensagens que demonstrariam proximidade e reuniões realizadas no gabinete do senador. Além disso, a PF afirma que Wagner acompanhava de perto a chamada "Emenda Master", proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e sustenta que Daniel Vorcaro via o parlamentar como um aliado político em pautas de interesse do banco.
Antes da operação realizada em 18 de junho, o ministro André Mendonça autorizou a PF a monitorar, por dez dias, a localização aproximada do celular de Jaques Wagner, além de acessar registros telefônicos da linha, sem autorização para ouvir ou ler o conteúdo das comunicações. Os documentos foram tornados públicos na quinta-feira (30), e as investigações continuam. Até o momento, as suspeitas apresentadas pela PF ainda serão analisadas pela Justiça, garantindo aos investigados o direito à ampla defesa e ao contraditório.