Mulher volta a enxergar após receber primeira córnea impressa em 3D do mundo
Idosa de 70 anos havia perdido visão de um dos olhos
Um marco da medicina pode transformar o futuro dos transplantes de visão. Médicos do Centro Médico Rambam, em Haifa, Israel, realizaram o primeiro transplante de uma córnea bioimpressa em 3D, permitindo que uma paciente de 70 anos, que havia perdido a visão de um dos olhos, recuperasse a capacidade de enxergar após receber o implante experimental chamado PB-001.
A inovação foi desenvolvida para enfrentar a escassez global de córneas para transplante. Atualmente, estima-se que, para cada 70 pacientes que necessitam do procedimento, apenas uma córnea de doador esteja disponível. O novo tecido é produzido a partir de células humanas derivadas de uma córnea real, organizadas camada por camada por uma impressora 3D, possibilitando que uma única córnea dê origem a vários implantes.
Especialistas avaliam o avanço como revolucionário, principalmente para países que não possuem bancos de olhos estruturados. Apesar do sucesso inicial, o procedimento ainda faz parte de um estudo clínico de fase 1, voltado à avaliação da segurança, da transparência do tecido, da melhora da visão e da integração do implante ao organismo. Até o momento, apenas uma paciente recebeu a córnea bioimpressa.
Os pesquisadores alertam que ainda é cedo para considerar a técnica uma alternativa ao transplante convencional. Os primeiros resultados de eficácia devem ser divulgados no segundo semestre de 2026, após pelo menos seis meses de acompanhamento dos participantes. Até lá, médicos destacam que serão necessários novos estudos para comprovar a durabilidade do implante e entender como o organismo reage ao novo tecido ao longo dos anos.