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Política

Casa Branca volta a acusar China e diz que Covid-19 surgiu em laboratório; informação foi desmentida em 2020

Pequim acusou os Estados Unidos de politizar a origem da pandemia e voltou a sugerir que o vírus pode ter surgido em território norte-americano.

Felipe Pimentel

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender oficialmente a teoria de que a Covid-19 teve origem em um vazamento de laboratório na China. A posição foi reforçada por meio de uma página publicada no portal oficial COVID.gov, que redireciona os usuários para um conteúdo da Casa Branca intitulado "Lab Leak", reunindo argumentos e documentos que sustentam essa hipótese.

Segundo a administração Trump, o coronavírus teria surgido após um "incidente laboratorial" no Instituto de Virologia de Wuhan, na China. O site também critica a condução das investigações durante a pandemia e acusa o governo do ex-presidente Joe Biden, o infectologista Anthony Fauci e a Organização Mundial da Saúde (OMS) de favorecerem a hipótese de que o vírus surgiu naturalmente. A Casa Branca afirma que o estudo científico "The Proximal Origin of SARS-CoV-2", amplamente utilizado para contestar a teoria do vazamento, teria sido incentivado por Fauci para fortalecer essa narrativa.

A origem da Covid-19, porém, permanece sem consenso científico. Enquanto algumas agências de inteligência dos Estados Unidos consideram plausível a hipótese do vazamento laboratorial, outras apontam que as evidências ainda são insuficientes para uma conclusão definitiva. Paralelamente, diversos pesquisadores continuam defendendo que a transmissão natural de animais para humanos segue como uma possibilidade.

A resposta do governo chinês foi imediata. Em um relatório técnico divulgado pela agência estatal Xinhua, Pequim acusou os Estados Unidos de politizar a origem da pandemia e voltou a sugerir que o vírus pode ter surgido em território norte-americano. O documento afirma que a China compartilhou informações com a OMS de forma transparente e destaca que um estudo conjunto entre a organização e autoridades chinesas concluiu que um vazamento de laboratório era "extremamente improvável". O embate reforça a disputa diplomática entre as duas maiores potências mundiais sobre um tema que, mais de seis anos após o início da pandemia, continua sem uma conclusão científica definitiva.

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