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Dois novos casos de possível cura do HIV são apresentados em conferência internacional no Rio

Pacientes permanecem há mais de um ano sem antirretrovirais e sem sinais detectáveis do vírus, mas especialistas alertam que tratamento ainda não é aplicável à maioria das pessoas

Peter Lucca

Pesquisadores apresentaram dois novos casos de possível cura do HIV durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada nesta semana no Rio de Janeiro. Os pacientes estão há mais de um ano sem utilizar medicamentos antirretrovirais e seguem sem sinais detectáveis do vírus, resultado considerado promissor pela comunidade científica.

Com os novos registros, o número de pessoas em remissão sustentada do HIV acompanhadas pela Sociedade Internacional de Aids (IAS) passou de 11 para 13. Apesar do avanço, os especialistas ressaltam que os casos ainda são monitorados e não representam uma cura amplamente disponível para quem vive com o vírus.

Um dos pacientes é um jovem de 21 anos, dos Estados Unidos, que recebeu um transplante de células-tronco para tratar uma leucemia agressiva. A doadora possuía uma rara mutação genética, conhecida como CCR5-delta32, que torna as células resistentes à infecção pelo HIV. Após interromper o tratamento com antirretrovirais, em 2025, exames continuaram sem identificar a presença do vírus no organismo.

O segundo paciente também permanece sem carga viral detectável há mais de um ano após suspender a medicação. Ambos os casos reforçam evidências de que transplantes de células-tronco com doadores portadores de mutações ligadas à resistência ao HIV podem levar à remissão prolongada da infecção em situações muito específicas.

Pesquisadores, no entanto, destacam que esse tipo de transplante é um procedimento complexo, de alto risco e indicado apenas para pessoas que também precisam tratar doenças graves do sangue, como leucemias e outras enfermidades da medula óssea. Por isso, a estratégia não é considerada uma opção de tratamento para a maioria das pessoas que vivem com HIV, mas pode contribuir para o desenvolvimento de terapias mais seguras e acessíveis no futuro.

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