Trump diz que questionará Putin sobre possível apoio russo a ataques iranianos
Inteligência dos EUA investiga se Moscou forneceu dados de alvos e tecnologia para operações do Irã no Oriente Médio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (27) que pretende questionar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre uma possível colaboração de satélites russos com o Irã em ataques realizados no Oriente Médio.
"Vou perguntar a Putin sobre isso. Vamos descobrir", declarou Trump a jornalistas a bordo do Air Force One.
A fala ocorre em meio a investigações conduzidas por agências de inteligência dos Estados Unidos sobre um possível envolvimento da Rússia no fornecimento de informações de alvos ou tecnologia avançada para o Irã.
Segundo quatro fontes ligadas à inteligência americana, analistas avaliam se Moscou contribuiu para ataques com drones iranianos contra instalações da CIA (Agência Central de Inteligência) na região do Golfo. As fontes, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que ainda não há conclusões definitivas sobre a participação russa.
Entre os fatores analisados estão a precisão dos ataques e o histórico de cooperação técnica entre Rússia e Irã. Um memorando interno de uma agência de inteligência ocidental, ao qual uma fonte teve acesso, concluiu que Moscou provavelmente colaborou na definição de alvos de instalações regionais da CIA.
As suspeitas aumentaram após um ataque contra uma base aérea dos Estados Unidos na Jordânia, ocorrido no fim de semana, quando mísseis balísticos iranianos atingiram alojamentos militares e mataram dois soldados americanos.
De acordo com duas autoridades ocidentais que atuam na região, a Rússia também teria auxiliado Teerã a aprimorar a capacidade dos drones Shahed de alcançar seus alvos. Analistas acreditam que versões aperfeiçoadas desses equipamentos foram utilizadas em um ataque contra Riad.
Outra fonte afirmou que Moscou ajudou a aumentar a precisão dos drones Shahed-136 ao fornecer o sistema de navegação por satélite Kometa-M. Especialistas apontam que a tecnologia é mais precisa e menos suscetível a interferências do que os sistemas de navegação desenvolvidos pelo próprio Irã.
Até o momento, nem o governo russo nem o governo iraniano se pronunciaram sobre as acusações. As investigações das agências de inteligência dos Estados Unidos seguem em andamento.