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Chefe de gabinete de Milei minimiza reação do Brasil após declarações do presidente argentino

Diego Santilli afirma que governo brasileiro exagerou na resposta diplomática e defende críticas de Javier Milei contra Lula

Peter Lucca

O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Diego Santilli, minimizou a reação do governo brasileiro às declarações feitas pelo mandatário durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25). Em entrevista ao canal La Nación+, no domingo (26), Santilli afirmou que o Brasil exagerou ao convocar o embaixador Julio Bitelli para consultas e solicitar esclarecimentos ao representante diplomático da Argentina no país, Daniel Raimondi.

"Não exagerem", declarou Santilli ao comentar a resposta do Itamaraty. O integrante do governo argentino também acusou marqueteiros ligados ao PT (Partido dos Trabalhadores) de terem participado da campanha do então candidato peronista Sergio Massa contra Milei nas eleições argentinas.

"Vieram aqui, fizeram campanha, fizeram de tudo, o gabinete de Lula disse barbaridades sobre o presidente e sobre a Justiça argentina e foram onde quiseram. Então que não venham exagerar", afirmou.

As declarações ocorreram em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Argentina. Também no domingo, Javier Milei voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Rádio Mitre, o argentino afirmou que o governo brasileiro financiou uma "campanha anti-argentina" e voltou a chamar Lula de "ex-presidiário".

A crise ganhou força após o discurso de Milei na convenção do PL, quando o presidente argentino se referiu a Lula como "presidiário" e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de "lixo careca". Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro fazer, em território brasileiro, "agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro".

O Itamaraty também lamentou o episódio, destacando que Brasil e Argentina mantêm uma relação de 203 anos de amizade e cooperação e que o Brasil é o principal parceiro comercial dos argentinos.

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