"Palhaço": ministro rebate Milei e afirma que Brasil vive momento melhor que a Argentina
Dario Durigan reagiu às críticas feitas pelo presidente argentino durante evento de Flávio Bolsonaro e afirmou que o Brasil tem menor risco-país, inflação mais baixa e melhores indicadores econômicos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a economia brasileira está em situação melhor do que a da Argentina e chamou o presidente argentino, Javier Milei, de "palhaço". A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, em resposta às críticas feitas por Milei durante sua passagem pelo Brasil no fim de semana.
Segundo Durigan, o Brasil apresenta indicadores mais favoráveis, como menor risco-país, inflação mais baixa, desemprego em nível reduzido, recordes na balança comercial, safra agrícola expressiva e queda no desmatamento.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou o ministro.As declarações ocorrem após Javier Milei participar, em São Paulo, do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. No evento, o presidente argentino fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de "lixo careca".
Apesar das críticas de Durigan, a economia argentina apresentou sinais de recuperação nos últimos anos após o plano de austeridade implementado por Milei. Dados oficiais apontam que a inflação caiu para 31,5% em 2025 — o menor índice desde 2017 —, enquanto o PIB cresceu 4,4% no mesmo período. No Brasil, a inflação fechou 2025 em 4,26%, com crescimento econômico de 2,3%.Em relatório divulgado neste ano, o Banco Mundial destacou que a Argentina tem se sobressaído na América Latina após o ajuste fiscal e as reformas econômicas adotadas pelo governo, embora tenha alertado para riscos relacionados ao financiamento externo e ao acesso ao mercado internacional de crédito.
Durante a entrevista, Durigan também comentou o cenário econômico brasileiro e afirmou que não vê risco de recessão em 2027. Segundo ele, a economia deve desacelerar em razão dos juros elevados, mas ainda assim deve registrar crescimento de cerca de 2%.O ministro defendeu a manutenção do arcabouço fiscal, a redução dos gastos obrigatórios e a modernização do Estado como medidas necessárias para permitir a queda dos juros nos próximos anos.