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Polícia
Fraude no INSS

Porsche, Camaro e BMW: fraude no INSS bancou carros de luxo, diz PF

Investigação aponta que recursos desviados de aposentados e pensionistas foram usados para comprar veículos de alto padrão e lavar mais de R$ 304 milhões por meio de empresas de fachada.

Eduarda Silva

As investigações da Polícia Federal sobre a fraude bilionária no INSS revelaram que parte do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas foi usada para comprar uma frota de veículos de luxo. Segundo a corporação, o esquema ligado à Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) movimentou mais de R$ 708 milhões e utilizava empresas de fachada para ocultar a origem dos recursos.

De acordo com o inquérito, o dinheiro saía de descontos irregulares em benefícios, principalmente de idosos e indígenas, e era transferido para empresas registradas no Distrito Federal e em São Paulo. A partir dessas contas, eram feitas compras de carros como Porsche 718 Boxster, BMW X5, Ford Mustang, Land Rover Defender e Chevrolet Camaro.

A PF afirma que algumas dessas empresas funcionavam apenas no papel. Em um imóvel de cerca de 20 metros quadrados, no Recanto das Emas (DF), investigadores encontraram o endereço de vários CNPJs ligados a pessoas investigadas. Segundo a polícia, essas empresas foram usadas para lavar mais de R$ 304 milhões.

As investigações também apontam que veículos teriam sido usados como forma de pagamento de propina. Um dos casos citados envolve o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro, que teria recebido uma Toyota Hilux SW4 avaliada em R$ 464 mil. Já o ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis, teria sido beneficiado com um Volkswagen T-Cross registrado inicialmente em nome de um terceiro.

Durante a Operação Sem Desconto, a Polícia Federal apreendeu cerca de 40 veículos em um galpão localizado em Presidente Prudente (SP), além de caminhões e outros bens em fazendas de luxo. A investigação também identificou uma tentativa de transferir aeronaves executivas para laranjas antes do bloqueio judicial.

A PF classificou a Conafer como uma organização criminosa e indiciou o presidente da entidade, Carlos Roberto Ferreira Lopes, pelos crimes de organização criminosa e corrupção, além de outros investigados. O relatório foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e seguirá para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará denúncia contra os envolvidos.

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